segunda-feira, 18 de julho de 2011

Volta as aulas, em estado de Greve

Os professores da rede estadual de Santa Catarina vão voltar às aulas a partir de amanhã (19 de julho), mas permanecem em “estado de greve”. Essa foi a decisão tomada pela assembleia geral da categoria, realizada no CentroSul, em Florianópolis. Mais de 4 mil pessoas compareceram. A paralisação durou 62 dois.

Gostaria de agradecer os amigos blogueiros que participaram junto dessa paralização, agradecer aos professores que contribuiram com textos, mensagens, recados e como última postagem sobre a greve deixo um texto de uma professora sobre essa luta justa.

SAUDADES...

VOU SENTIR SAUDADES!!!
Saudades das caravanas, das passeatas, dos encontros nas assembleias, do restaurante do “boi” que passávamos toda vez que vínhamos das assembleias e lá podíamos encontrar nossos amigos de Criciúma, dos amigos novos com sotaque puxado de xxxx, dos olhares de indignação, dos bravos guerreiros do Oeste e do Litoral, dos inúmeros comentários no blog do Moacir, do conhecimento de leis, do pastel de frango em frente a ALESC, do choro dos professores, das músicas que embalaram nossa caminhada, dos gritos de injúrias, dos almoços na assembleia, do chão com tapete vermelho da Alesc que serviu de cama por dois dias, do rosto de cada professor nos acampamentos, do sanduíche de presunto e queijo que comemos no dia do enterro da educação, da sede de justiça, do choro da deputada (Angela Albino), das notícias postadas neste blog, das noites em claro que reservei para postar minha revolta e indignação, da união dos meus colegas, da insistência em continuar a greve, do Hino Nacional cantado em frente a secretaria de educação deste nobre estado, de bater palmas pra ele (professor), dos apitos, dos narizinho de palhaço, da carreata, das inúmeras vezes que convencemos os colegas a continuar na greve, dos fotógrafos, das câmeras, dos jornalistas, das poses pra fotos, de assistir a RBS, de ler jornais para acompanhar as últimas notícias, dos telefonemas para marcamos reuniões, de levantar as mãos pela continuidade da greve, das vaias, de desfilar na passarela Negro Quirido, de ouvir o som das panelas, da voz dos deputados que nos defenderam com seus discursos magníficos, de segurar velas, de chorar, de sentir ódio, de ver o rosto de admiração das pessoas, de ver os motoristas buzinando a nosso favor nas passeatas, de ver pessoas levantando bandeiras e acenando para nós, de ser reconhecido como PROFESSOR que merece ganhar mais e ser valorizado……
SÓ NÃO TENHO SAUDADES da ingenuidade que ficou para trás, pois esta não volta nunca mais. Não tenho saudades do dia 13/07, o dia em que a educação neste estado foi enterrada por Colombo e sua corja, não tenho saudades da cara dos deputados safados que riam e zombavam de nós, do Bope que agrediu professores, da polícia que impediu nossa entrada no Plenário, da votação a favor do PLC/26, dos desmaios dos professores, dos rostos batendo nos vidros do plenário, das palavras sujas dos deputados, do deboche na cara deles, da insistência do governo em dizer que está aberto a negociações e que já deu tudo o que tinha que dar, não tenho saudades do deputado Joarez dizendo “eu não sei o que os professores querem”, das notícias falsas que a mídia lançava todos os dias, não tenho saudades do FIM DA GREVE…..
Agora uma nova profissional se faz dentro de mim. Com novos anseios, objetivos, com novas perspectivas, com novos conhecimentos. A melhor aula de cidadania que pude ter nestes 62 dias.
Que esta greve não tenha servido apenas para ganhos salariais e sim para combatermos a corrupção neste estado dominado por coronéis.
ESTA GREVE FOI MUITO IMPORTANTE PARA MIM E TENHO CERTEZA QUE PRA TODOS OS PROFESSORES.
ELA VAI DEIXAR SAUDADES!!!

Texto da professora Fabiana Viana, de Tubarão

Discutir educação

Texto de Moacir Pereira, na edição de domingo do Diário Catarinense.

Os dois meses de greve do magistério levaram a uma situação incomum. Durante todo esse período, Santa Catarina discutiu educação pública. Além da questão central sobre a remuneração dos professores, entraram na pauta a qualidade do ensino, a estrutura oferecida pelo Estado. Os catarinenses levantaram o tapete e começaram a enxergar poeiras com décadas de existência. Coisa que não aconteceu, por exemplo, na última campanha eleitoral.
A saúde, a segurança pública e a infraestrutura foram escolhidos pelos principais candidatos como os grandes temas da sociedade catarinense, com respaldo do eleitor. A ponto de o plano de governo apresentado por Raimundo Colombo – que ele preferia chamar de “agenda de governo” – não ter um capítulo sobre educação. O único trecho que pode ser usado para a atual situação é uma fala genérica sobre qualificação do serviço público, quando Colombo promete que “a capacitação contínua será será um elemento fundamental, inclusive nos planos de carreira do serviço público”.
Em 2006, candidato a reeleição ao governo, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), tinha um capítulo para educação em seu plano de governo em que prometia achatar a carreira do magistério. Isso mesmo, está na página 16 do chamado “Plano 15″: “elevação gradual da remuneração, priorizando os salários mais baixos, para reduzir, progressiva e fortemente, a diferença salarial entre as maiores e as menores remunerações”.
Está explicitada aí a opção por abonos de mesmo valor para todos os profissionais em lugar de reajustes lineares sobre a tabela. Uma política que não custou barato, já que o gasto com a folha da educação cresceu 138% nos dois governos do hoje senador Luiz Henrique. Mas que acabou fulminada em sua base teórica pela lei que criou o piso nacional. Como os aumentos não foram dados sobre o salário, os vencimentos básicos estavam muito defasados em relação à remuneração. LHS se juntou a outros governadores que questionaram o piso federal no Supremo Tribunal Federal (STF) e a questão ficou suspensa. E o tema educação seguiu fora da pauta da sociedade enquanto LHS e seu secretário da área, Paulo Bauer (PSDB), eram eleitos ao Senado.

Meritocracia

Eleito governador, Colombo tinha como principal aposta para a educação a implantação da meritocracia na política salarial. A ideia básica era criar um ranking baseado em metas e avaliações feitas junto aos professores, pais e alunos. Com base nas nessas notas, os profissionais da educação ganhariam um 14º salário. Em São Paulo, onde o sistema é aplicado, esse salário extra varia de R$ 1,5 a R$ 8 mil. A meritocracia tem forte resistência entre sindicalistas e funcionários públicos, mas com o apoio político de 31 dos 40 deputados isso não era visto como um problema.
Antes mesmo de dar corpo à ideia, Colombo foi atingido diretamente pela decisão do STF de que o piso federal deveria valer sobre o vencimento inicial e não sobre a remuneração. Subestimou a urgência em viabilizar um novo plano de carreira e acabou em meio a uma greve com ampla mobilização e apoio popular. Para dar fim ao movimento, gastou parte de seu capital político junto à Assembleia para aprovar a proposta que instituiu os novos patamares salariais do magistério à revelia da categoria.
E agora? Qual será o clima nas salas de aula após uma greve em que os professores saíram sem os ganhos financeiros que esperavam? O que vai acontecer após janeiro do ano que vem, quando os efeitos da proposta aprovada forem integralizados e os professores voltarem a cobrar a aplicação do piso em toda a carreira? Colombo vai trazer de volta a ideia de meritocracia, comprando mais uma briga com o Sinte/SC? Difícil saber.
Se serve de consolo, os catarinenses estão discutindo educação


quarta-feira, 6 de julho de 2011

Greve Continua

Os professores da rede estadual de ensino de Santa Catarina decidiram manter a greve por tempo indeterminado. Voto por maioria. Estão neste momento fazendo uma passeata pelas ruas centrais de Florianópolis.
Durante a assembléia, a única comemoração unânime aconteceu quando foi anunciada a decisão do desembargador José Gaspar Rubick, negando o pedido de suspensão da liminar que determinou ao governo adevolução dos descontos feitos nos salarios dos professores grevistas.
O comando de greve, que sofreu pesadas críticas durante a assembléia, volta a se reunir para decidir as novas ações.
Cerca de 4 mil professores estavam presentes. Portanto, menos da metade da última Assembleia realizada no mesmo local, a Passarela Nego Quirido. Em suas reivindicação os professores tinham como palavras de ordem repetidas contra o governador: “É greve, é greve, é greve… até que o Colombo pague tudo que nos deve.” Ou “Colombo, a culpa é tua… a greve continua.”

SINTE de São José e Florianópolis lançam nota de esclarecimento pela continuidade da Greve


REGÊNCIA NÃO É PISO!

Em meados do mês de maio “acordamos” enquanto categoria: PISO JÁ! Após a decisão final do STF sobre o Piso Profissional Nacional do Magistério, percebemos a legitimidade de uma nova LUTA. Assembleias Regionais em todo o estado validaram esta verdade. O grito de “PISO JÁ!” foi e é nossa bandeira.
A última proposta apresentada pelo governo traz um novo ENGODO. Pois quer apenas ACABAR COM A GREVE. Ele não pensa na necessidade de garantir os direitos dos profissionais do Magistério Público Catarinense, visto que mascara o cumprimento da Lei do Piso, sem gastar muito para não ter que buscar os "recursos reservados".
A receita usada é boa, se não fosse UMA GRANDE SACANAGEM COM A CATEGORIA: tira dos próprios grevistas os recursos, atordoa-os com coações, retém os salários, faz várias rodadas de “não negociação”, e por fim, adiciona o uso de recursos públicos para publicar notas na TV, onde se mostra bonzinho e preocupado com a Educação.
Portanto, o governo manipula fatos reais, porque tira direitos da categoria, como a regência de classe, desestruturando o Plano de Carreira; enfim, castiga os servidores da Educação!
Em relação à Lei do Piso (11.738/2002), quem garante que o governo vai cumpri-la se sairmos da greve? O governo em nenhum momento fez uma proposta que respeitasse os percentuais do quadro de carreira. Ou seja, o governo mente, enrola e manipula.
Neste caso, terminar com a greve significaria validar, enquanto categoria do Magistério, as ações do governo tais como: não garantia das regências e a desconfiguração do Plano de Cargos e Salários, além de outras perdas.
Portanto, convidamos a todos a se manterem firmes na Greve. Dizendo um “NÃO” às manobras políticas que têm como objetivo desmobilizar a categoria e descaracterizar o foco de nossa luta. Não admitimos ser massa de manobra.
Apesar dos 50 dias de embate, ainda nos mantemos firmes. Somos muitos lutando pelo mesmo ideal. Nunca, em Santa Catarina, houve tamanha adesão e permanência de uma categoria num movimento legitimamente constituído.
Assim, conclamamos os companheiros de todas as regionais que fortaleçam o movimento, visto que há chances de vitórias reais. Não apenas “avanços” como querem nos fazer acreditar. Enfim, só sairemos do movimento se obtivermos um cronograma de pagamento da aplicação da Lei do Piso Nacional do Magistério, no Plano de Carreira do Magistério Público Estadual de Santa Catarina vigente na data de 18 de maio de 2011, sem prejuízo dos direitos anteriormente conquistados.


QUEREMOS GANHOS E NÃO PERDAS!
PROFISSIONAIS DO MAGISTÉRIO NÃO SERÃO LUDIBRIADOS!

A GREVE CONTINUA!

Rumo incerto do magistério

Ainda não houve um acordo entre os professores e o governo do estado de Santa Catarina e o desfecho dessa história ainda está longe de terminar, a reivindicação do piso salarial está longe de se concretizar como deveria de ser.
São horas, dias, semanas, meses, anos de dedicação em nossa profissão, e o resultado são professores desestimulados, doentes... uma doença sem cura... a doença da auto-estima, reconhecimento, valorização. Fizemos tantos por aqueles que por nós passam e o que ganhamos? Se o aluno vai bem, parabéns para ele. Se o aluno vai mal, culpa do professor. Somos os culpados de uma educação de migalhas, vistos pela sociedade como “folgados”.
Mesmo com adesão de mais de 90% da classe em greve e a mesma ser uma greve legal isso não é o bastante para nossos representantes cumprir o que é justo! A partir de hoje a divisão das regionais e dos mestres, já prevista, cria um fato novo.
Segunda e terça feira (04 e 05 / 07) foram realizadas as assembléias regionais, 17 deliberaram pela suspensão, 11 pela continuidade e 2 ficaram sem decisão.


REGIONAL e sua decisão

1ª Florianópolis: Continuidade
2ªTubarão:Continuidade
3ª Criciúma: Continuidade
4ªBlumenau: Suspensão
5ªJoinville: Continuidade
6ª Rio Sul:Suspensão
7ª Lages: Suspensão
8ª Mafra: Continuidade
9ª Joaçaba: Suspensão
10ª Concórdia: Suspensão
11ª Chapecó: Suspensão
12ª São Miguel: Suspensão
13ª Itajaí: Continuidade
14ª Caçador: Sem Decisão
15ª Araranguá: Continuidade
16ª Brusque: Suspensão
17ª Xanxerê: Suspensão
18ª Canoinhas: Suspensão
19ª Jaraguá Sul: Sem Decisão
20ª Laguna: Continuidade
21ªItuporanga: Suspensão
23ªMaravilha: Suspensão
24ª Curitibanos: Suspensão
25ª Ibirama: Continuidade
26ª São José: Continuidade
27ªSão Lourenço: Suspensão
28ª Campos Novos: Suspensão
29ªVideira: Continuidade
30ª São Joaquim: Suspensão
31ª Palmitos: Suspensão



Está ocorrendo nesta tarde a Assembleia Estadual onde o clima das manifestações dos professores no inicio da Assembleia é pela continuidade da greve. Contra, portanto, a maioria das assembléias regionais. Os professores das cidades litorâneas comparecem em maioria e esta presença pode fazer a diferença.
A coordenadora do Sinte, Alvete Bedin, recebeu vaias quando fez a primeira intervenção. O professor Marcelo pediu aos presentes que respeitassem todas as opiniões e Bedin pode concluir sua exposição sobre a proposta do governador.
Regência não é piso! Mas nesse momento é melhor sermos cautelosos para não perdermos nossos maiores aliados pais e alunos, no entanto, a categoria está descontente com os resultados.
Os professores de Xaxim retornam amanhã (quinta-feira 07/07) as aulas, porém em estado de greve, caso não se cumpra os acordos a greve pode voltar.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Apoio aos grevistas

Depoimento da Ministra das Relações Institucionais Ideli Salvatti em visita ao Acampamento dos Trabalhadores em Educação em Defesa do Piso na Carreira, na data de 02/072011, em frente a sede da Secretária de Estado em Educação - Santa Catarina.


video

Audiência do Sinte com o governador

Acima de todos os diagnósticos sobre a educação catarinense, a greve fermentou uma unidade política do magistério jamais vista em Santa Catarina. Cresceu em legitimidade pela ausência de interferências partidárias ou ideológicas. E, se não forem fragilizadas estas condições, os professores estarão virando uma página na educação pública.
Na tarde de ontem (domingo 03/07), o governador Raimundo Colombo coordenou pessoalmente a reunião com o comando de greve dos professores e o Sinte, na Casa da Agronômica. Encontro testemunhado pelo vice Eduardo Moreira e secretários que integram o grupo gestor.
A Assembleia estadual dos professores está marcada para quarta-feira para decisão.










Proposta Oficial:
Considernado o Oficio Expedido no. 099/2011, de 28 de junho de 2011 e a reuni!ao realizada no último dia 1o. de julho, o Governo do Estado de Santa Catarina, através da Secretaria da Educação:

1. Reitera os termos da proposta aos professores apresentada pelo Governo ao Sinte em 15 de junho de 2011.
2. Iniciará a recomposição da regência de classe nas seguintes bases:
A- passar a regência de classe de 25% para 30 % em agosto deste ano e para 40% em janeiro de 2012;
B- passar a regência de classe de 17% para 20% em agosto e para 25% em janeiro de 2012;
C- passar a gratificcação dos especialistas de 15% para 20% em agosto deste ano e para 25% em janeiro de 2012;
D- passar os percentuais vinculados ao pagamento das horas excedentes de 3% (1,5 +1,5%) para 3,6% (1,8% + 1,8%) em agosto e para 5% (2,5% + 2,5%) em janeiro de 2012.
3. Solicita ao Sinte a indicação de 4 representantes para formar o grupo de trabalho definido na proposta aos professores, afim de iniciar seus trabalhos no dia 06 de julho próximo.

Fonte: http://sinte-sc.blogspot.com/
http://wp.clicrbs.com.br/moacirpereira/?topo=67,2,18,,,67

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Cronograma das atividades da Greve

* 04 de julho ( Segunda-feira)
14horas: Assembleia Regional em Xanxerê.
O ônibus saira da praça Frei Buno de Xaxim as 13 horas e 30 min.


Todos estão convidados, a participação no maior números nas atividades é sempre interessante.